Um tempo de amor e paz
Um nó se forma na minha garganta e eu não sei mais para onde ir. Sem você do meu lado a dor volta como se nunca tivesse partido. O medo sussurra meus traumas como quem conta um segredo e eu só quero me sentir completa outra vez.
Dói. Você longe do meu toque dói. A negação da tua presença dói, o silêncio da tua voz dói, esse choro preso no peito dói.
O que você fez de mim? Antes eu firmava meus pés e andava, ainda que trôpega e tateando pelas paredes. Agora eu me arrasto pelo chão em busca do teu aconchego, sem conseguir ignorar as horas que não passam nunca e os dias que se tornaram intermináveis.
O vazio grita dentro de mim. Onde estás que não posso te ver? Onde estás quando não posso tocar-te? Será que pensas em mim como penso em ti? Como se sua lembrança se transformasse no único remédio para minhas dores de alma? Ahn amor, o que eu faço agora que eu conheço a beleza da tua presença? O que eu faço agora que a felicidade deu o ar da sua graça? Sem você aqui o mundo fica grande demais, assustador demais, solitário demais. Sem você aqui, meus dias ficam cinzas, sem cores ou tons que façam dela algo melhor. Sem você aqui a chuva vem e passa, mas a felicidade não dura, como se fosse uma clandestina que chega, mas não pode ficar. Como uma tempestade de verão, que da mesma forma que surge, se vai – quase como se nem tivesse existido.
Minhas manhãs perderam o brilho, essa espera louca faz a razão fugir de nós. Conto os segundos que faltam para seu retorno, para que eu possa tocar-te a face e beijar tua boca. Não é somente vontade de você, é saudade da tua presença, das tuas manias, do teu riso solto numa roda de amigos. É a alegria de ver-te acordar, de sorrir e abraçar meu corpo. É medo de não saber como andas, se com as pernas, os braços ou se é somente a saudade que ainda te mantém de pé. É por não saber como estás, de saber se no teu peito o vazio habita tão imenso quanto em mim.
Por isso mendigo, sem vergonha alguma do que vais pensar de mim. Arrasto-me como um animal, implorando por um segundo da tua voz. Se não te ouço, sinto que morro, que desfaleço, que perco meu chão. Durmo sonhando com teu regresso. Acordo desejando que não partas mais. Tudo isso num misto de amor, medo e dúvida, numa panela cheia de traumas dos quais ainda não aprendi a lidar. Não sou a adulta que esperam que eu seja, nem a menina que deveria ser. Sou apenas uma parte que anda curvada pela rua, buscando encontrar-te pelo caminho.
Por isso, amor, meu medo da tua ausência é quase tão grande quanto o da tua partida. Por isso que quero chorar como um recém-nascido ansioso pelo peito da mãe, por saber que uma parte de mim já não é mais minha, mas tua. Uma parte que eu nem sequer sabia que existia, mas que agora parece gritar de dentro do meu corpo. Grita teu nome, teu gosto, teu riso.
E agora a semana começou e eu preciso deitar na cama, fechar os olhos e esperar o dia que logo vem. Esperar que o tempo corra e que logo eu mergulhe no teu abraço mais uma vez. Esperando pelo tempo em que não precisarei mais esperar – nem você precisará partir.
Um tempo de amor e paz.

